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Documentário revela como o Sisal pode transformar o futuro energético do semiárido baiano

  • Foto do escritor: Paulo Marcos
    Paulo Marcos
  • há 3 horas
  • 3 min de leitura

Entre 2023 e 2026, a cadeia do sisal no semiárido baiano passa a dialogar com a biotecnologia e a transição energética, conectando campo, ciência e indústria em um novo ciclo de desenvolvimento.


Em 2025, o documentário Fibras Resilientes, dirigido por Paulo Marcos, registrou a força histórica do sisal e o cotidiano de quem sustenta essa economia no semiárido.


Agora, no novo filme “Da Fibra de Sisal ao Etanol de Agave" com lançamento previsto para março de 2026, o foco se amplia: a mesma planta que estruturou cidades e atravessou gerações passa a ser analisada como base de uma possível revolução energética.


Não se trata de ruptura, mas de continuidade. A história da fibra abre caminho para a bioeconomia.


A Base Econômica e seus Desafios

O sisal consolidou o semiárido baiano como referência mundial em fibras naturais. Wilson Andrade do Sindicato das Indústrias de Fibras Vegetais no Estado da Bahia (Sindifibras) destaca que o Brasil responde por cerca de metade da produção global. Essa liderança, no entanto, convive com um gargalo histórico: a exportação de fibra bruta com baixo valor agregado.


A cadeia produtiva ainda aproveita apenas uma pequena parte da folha economicamente. A maior fração transforma-se em resíduo ou biomassa subutilizada. O desafio central passa a ser tecnologia, industrialização e diversificação de produtos.



Política, Território e Desenvolvimento


A modernização do setor envolve decisões políticas e planejamento estratégico.

Robenilton, professor e vereador, defende que a transição produtiva precisa respeitar a memória econômica do território. Para ele, o sisal é parte da formação social regional e qualquer avanço tecnológico deve dialogar com essa identidade.


Marcelo Araújo, empresário e prefeito, aponta a industrialização local como eixo estruturante. Na sua avaliação, agregar valor na origem é condição para geração de emprego qualificado e fixação da juventude no território.


Urbano de Carvalho, sindicalista, produtor rural e vereador, chama atenção para a organização produtiva. Ele destaca a necessidade de maior articulação entre produtores para fortalecer preço, planejamento e capacidade de negociação.


A Realidade no Campo

Na base da cadeia está José de Araújo, dono de motor. Ele representa a etapa mais dura do processo: a desfibragem.

Seu relato revela a distância entre produção primária e mercado final. O trabalhador extrai, beneficia e entrega a fibra sem, muitas vezes, conhecer seu destino industrial. A rotina é marcada por esforço físico intenso, uso limitado de tecnologia e aproveitamento restrito da planta.

Essa é justamente a fronteira que a ciência pretende atravessar.


A Virada Científica e Energética


O debate ganha densidade técnica com a participação da academia.

Rafael Mota, da Câmara Técnica do Sisal, observa que o uso do agave para produção de etanol entrou definitivamente na agenda estratégica do setor.


Hélio Carneiro, pesquisador, destaca a eficiência hídrica do agave. Diferentemente da cana-de-açúcar, a planta se adapta plenamente ao clima seco, com potencial elevado de produtividade por hectare.


No campo da pesquisa aplicada, Fábio Raya, do Programa BRAVE (Brazilian Agave Development) da Unicamp, defende o agave como alternativa concreta dentro da transição energética global. Ele aponta experiências observadas em 2024 nos Estados Unidos e no México, onde modelos integrados incluem bioenergia, créditos de carbono e uso do bagaço como biocarvão.


Complementando essa frente, Gonçalo Pereira, que coordena o Programa BRAVE na Unicamp, destaca avanços no melhoramento genético, como a variedade IAC4, com maior produtividade e melhor qualidade de fibra. A proposta não é substituição abrupta, mas integração tecnológica progressiva.


Entre Tradição e Inovação

O que se desenha não é abandono do sisal, mas expansão de possibilidades.

A fibra que sustentou a economia regional pode agora compartilhar protagonismo com biocombustíveis, biomateriais e novos arranjos industriais. A bioeconomia surge como estratégia de diversificação e redução da dependência exclusiva do mercado internacional de fibras.



Os filmes dirigidos por Paulo Marcos - o primeiro, lançado em 2025, e o segundo, previsto para março de 2026, com duração de 15 minutos - registram exatamente esse ponto de inflexão histórico: quando o território começa a reinterpretar sua própria vocação produtiva.


Um Novo Ciclo

O semiárido baiano sempre foi associado à resistência. Agora, passa a ser associado também à inovação.

A discussão sobre etanol de agave, bioenergia e industrialização não apaga a história da fibra. Ao contrário: parte dela.


O que está em curso é um redesenho produtivo que mantém raízes no campo, mas projeta o território para o centro do debate sobre energia, sustentabilidade e desenvolvimento regional.


Créditos Visuais

  • Imagens: Wellington Lima e Paulo Marcos

  • Direção e documentação: Paulo Marcos

  • Imagens técnicas: Arquivo Programa BRAVE

  • Localização: Conceição do Coité-BA

  • Registros internacionais: Estados Unidos (2024)

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